domingo, 3 de abril de 2016

LEGIÃO URBANA CINCO “o maior segredo é não haver mistério algum”



Ola nerds amigos e compatriotas! Estamos de volta, uma semana depois da páscoa, da estréia de batman vs superman (que será tema de nosso primeiro podcast) e ainda na D-tox dos chocolates., mas, nossa cruzada nerdistica continua firme e forte. Como disse no ultimo post, criei este blog para falar de nerdices, mas principalmente de HQs. Mas, nem só de quadrinhos vive um nerd e musica é alimento da alma. Então hoje quero falar de um álbum que faz parte da minha vida de forma impar, tanto como fã e ouvinte como na minha formação musical. Aberturinha de praxe e então vamos nós: com vocês............

Legião Urbana Cinco 
“o maior segredo é não haver mistério algum”
renato russo


Acho que era dezembro de 1990, mas como sempre posso estar errado. O que importa é que eu andava numa deprê daquelas, coisa de adolescente apaixonado. Tinha passado uma semana meio complicada e numa noite de sábado comendo hambúrguer com meu amigo Vinicius pia (o sobrenome dele era piatan), ouvi no radio do bar os seguintes versos:


“sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou só sei do que não gosto”!

___ Isso e legião?Isso e legião? Isso e legião? Gritava eu em êxtase, como se tivesse achado uma nota de cem, apesar de cem cruzados (o dinheiro da época) mal dava pra comprar um gibi e eu tenho alguns pra provar isso.                                         

O cara que fritava nossos hambúrgueres, não entendeu nada.                                                

No mínimo deve ter pensado: “eu hein e claro que e legião, a voz e do Renato russo seus boiólas”, mas não disse nada pra não ser grosso com os fregueses.

O que o chapista não sabia, era que para nós (e pra um monte de gente), legião urbana fazia (e ainda faz) parte integral do dia-dia. Cada disco, letra e ate uma entrevista; já era motivo pra provocar frenesi e dar a sensação alivio para os ouvidos.                

Então, quando você esta vivendo um momento difícil na vida (há! A adolescência!) e ouve o novo single de sua banda preferida, às coisas finalmente começam a clarear.                                             Oba! A legião esta de volta e agora vou ter algo pra aliviar meu sofrimento.                              

Era assim que pensávamos na época, mas você deve estar querendo saber, onde eu quero chegar?                                          

Eu quero mostrar, a importância de boa musica na vida de uma pessoa.                                         Os tais versos de que falei no inicio, são do teatro dos vampiros e faz parte do quinto disco de Renato russo e cia.

Em tempos sem downloads (é amigos, internete nem sempre existiu), tínhamos de esperar uma musica tocar no radio, grava-la numa fita cassete (da um google) e esperar o disco chegar às lojas pra poder comprar (camelô naquela época só vendia pipoca, balas e pilhas), mas a espera valia a pena.                                 

O álbum V (cinco em numeral romano mesmo) foi um desses casos de espera recompensada. Quando eu adquiri meu exemplar, tive uma sensação de estar degustando um bom vinho. Como sempre fugir dos padrões, foi à tônica do trabalho de  Renato Russo e seus asseclas.                

De cara, o disco abre com uma canção em português arcaico (muito parecido com espanhol) e um arranjo cheio de solos de violão flamenco, com uma toada épica.O nome da musica? “love song”.                                     


Na seqüência vem “metal contra as nuvens”, uma musica de onze minutos, com uma narrativa medieval, mas tratando de temas importantes em qualquer época; seguida por um instrumental de seis “a montanha mágica” (nome de um livro genial) e um blues que só poderia ter sido tocado por brancos.

É claro que V ficou no prato do meu toca discos por semanas, foram tantas audições, que sem duvida é um dos álbuns essenciais e nunca pegou uma grama de poeira na minha estante.
Não vou nem falar do resto do CD pra não ficar alongando o texto (odeio tese de mestrado), mas só posso dizer que este disco, mudou minha forma de pensar a musica e do fazer musica. Foi quando percebi que rock não é gênero, mas sim uma forma de expressão.

Canções longas e letras quilométricas, já eram criticadas na época com argumentos de que o publico não tinha paciência para musicas com mais de três minutos, mas das dez musicas mais ouvidas naquele ano, quatro foram do disco V e todas tinham mais de quatro minutos.

Você já ouviu coisa parecida por esses dias? Pos é o tempo passa, mas as mentiras continuam as mesmas.

Renato Russo brilhou com um disco progressivo, em meio ao reinado de guitarras distorcidas de Guns in Roses e Nirvanas, sem gritos e sem afetação.

Enquanto o excesso de cores, ruídos e trejeitos era regra na musica dos anos 1990 uma capa belíssima apesar de simples, fazem deste CD, um dos mais importantes para uma década que precisava de um trabalho marcante como este, já que passávamos pela primeira onda de “sertanejos”, axés e do “funk carioca”.

Não, não estou falando de hoje por incrível pareça, mas o bom e velho Rock in Roll sempre vem nos salvar.        


Em resumo, ouvindo este disco da pra ver  que a musica brasileira (apesar do momento atual) sempre foi capaz de produzir grandes artistas, em pequeno numero é verdade, mas mesmo assim essa minoria da qual a legião urbana faz parte, acaba sendo a que serve de inspiração para ouvidos cansados, que quando vão à caça de novidades, acabam esbarrando com elas nas coisas do passado.

Se você por acaso estiver lendo este texto e tem menos de 30 anos, mas já ouviu falar de legião urbana; não fique intimidado de sair um pouco da mesmice musical que assola o Brasil e pedir para ouvir aqueles cds que o tio Luis ouve.

Você vai perceber que apesar dos Luans Santanas da vida, romantismo poder ser feito sem rimar amor com dor, ou com um manual de frases feitas do lado, e que é possível ser romântico sem ser piegas.

Tudo isso com bons arranjos, letras criativas, guitarras distorcidas, bandolins e muita poesia. Você vai descobrir também que Renato Russo estava certo a respeito da vida: “o maior segredo, é não haver mistério algum”!          

Pra encerrar fichinha técnica:


Artista: legião urbana
Nome do álbum: V
Ano de lançamento: 1991
Gravadora: EMI odeon
Produção: mairton bahia

Legião urbana:
Renato Russo: violão, voz, teclados e letras
Dado Villa Lobos: guitarras e violões
Marcelo Bonfá: bateria

Faixas:
  1. Love Song
  2. Metal Contra as nuvens
  3. A ordem dos Templários
  4.  A montanha mágic
  5.  O teatro dos vampiros
  6.  Sereníssima
  7.  Vento no litoral
  8.  O mundo anda tão complicado
  9.  Lagê D´or
  10.  Come shere my life


PARA REFLEXIONAR



“A IGUINORANCIA É VIZINHA DA MALDADE”
Provérbio arabe

















Você já sabe né? Domingo que vem agente volta, com mais nerdices edificantes pra vocês.

Namastê!

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