sábado, 16 de janeiro de 2016

Afrociberdelia 20 anos, mas muito atual.



Este ano um dos discos mais interessantes já produzidos no Brasil, comemora 20 anos de seu lançamento. Estou falando do segundo álbum da Nação zumbi ainda com Chico Science vivo.

Mas, vamos falar do disco.

Afrociberdelia é o nome do cd, mas poderia ter sido batizado de: “manual pratico para quem sofre de bloqueio criativo”; mas Afrociberdelia esta bom!

Poucas vezes fiquei baqueado com a morte de um artista, só a morte de Chico Sciense mexeu comigo de um jeito meio diferente. Eu não vi apenas a morte de um sujeito talentoso, que ainda teria muito a mostrar, mas sim a interrupção de um momento muito bacana da musica brasileira, que poderia ter nos levado a uma realidade diferente nos dia de hoje.

Gravado e lançado no ano de 1996, após um bem sucedido disco de estréia, com musica em novela da rede globo e tudo (disco sobre o qual também vou escrever em breve), Chico e seus asseclas precisavam enfrentar o temor de todo artista iniciante: o segundo trabalho.

E não é que os caras, simplesmente me gravam o melhor disco da década de 90?

Polemica a parte, poucas vezes um artista entrou no estúdio e saiu de lá, tão de cabeça erguida como Chico sciense & nação zumbi deevn]m ter saído após ouvir a mixagem final de Afrociberdelia. O álbum consegue ser um espécime de paradoxo musical, pois é eclético (no bom sentido) e homogêneo ao mesmo tempo.

O maracatu, hip-hop, samba, rock e é claro a poesia brejopolitana das letras de Chico Science, conseguem conviver em harmonia. O que para quem se propõe a tais façanhas musicais, na maioria das vezes acaba se tornando uma armadilha fácil de cair, mas pra sair.........


Pra mim vinte anos depois, este é um dos poucos trabalhos de um artista brasileiro, que consegue soar atemporal, coisa muito difícil o que confere ao Afrociberdelia um status privilegiado. Principalmente levando-se em conta que a própria nasção zumbi, não conseguiu produzir nada semelhante após a perda de seu cantor e que seus companheiros de geração: skank, jot quest e o rappa por exemplo, até hoje devem um grande álbum.


 


 Muitos que conhecem o trabalho de chico science gostam de destacar as letras do primeiro álbum como melhores que as do Afrociberdelia, até concordo, mas eu sou um colecionador de frases e neste cd em particular  encontrei frases que guardo no subconsciente e só me fazem admirar mais a caneta de mister Chico Ciência, por exemplo:




“deixar que os fatos, sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer. Deixar que os olhos vejam pequenos detalhes lentamente, deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como moveis inofensivos pra lhe  servir quando for preciso e nunca lhe causar danos morais, físicos ou psicológicos”.



Captou amado mestre? 
Em suma um trabalho, feito com zelo, produzido apenas para registrar canções, mas acabou virando algo mais do que isso pelo menos para este que vos escreve.


No mais fica ai a dica d sempre. Se você não leia, se não viu veja e no caso deste post se nunca ouviu aconselho que ouça mesmo que não goste, a experiência já valera a pena afinal como disse o próprio Chico Sacience:

“um passo a frente  e você não esta mais no mesmo lugar”!

Até domingo que vem. 


 
  

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