sábado, 26 de março de 2016

Combate no reino eterno



Ola nerds amigos e compatriotas! esta no ar o "domingão do markão", com mais nerdices "edificantes" para quem se aventura por este humilde blog.

Já foram vários posts publicados desde a gênese do geléia gerais,mas só agora me dei conta que apesar de ter criado este blog para falar das minhas nerdices: musica, cinema e quadrinhos; já abordei alguns filmes, dois discos, mas nenhuma HQ(historia em quadrinho para os íntimos).

 Pode? Isto é imperdoável, mas cá estou eu para refazer este lamentável mal feito e para salvar a imagem deste que vos escreve.

Então vocês já sabem sem mais delongas com vocês............


Combate no reino eterno
(ou o dia em que thor e surfista prateado saíram na pancada por causa de uma mentira)

Em tempos de muito disse me disse, às vezes agente fica sem saber se a vida imita e vice versa, mas como este não é um texto filosófico (eu acho) vamos ficar apenas com o lado bom da vida que são os momentos de tirar o fôlego.

Eu pelo menos, acredito que para todo amante de quadrinhos, combate no reino eterno esta entre os momentos de tirar o fôlego que só um bom gibi pode proporcionar.

A prova de que estou dizendo a verdade, fica por conta da quantidade de vezes em que esta estória foi reeditada. Pelo menos no Brasil, lembro-me de duas edições memoráveis feitas pela editora abril que a publicou no numero sete da revista mensal Heróis da TV e mais tarde no numero dezesseis de grandes heróis marvel que era publicada de forma trimestral.

Devo confessar que não sou grande fã dos roteiros de stan lee (em breve explicarei o por que em de forma mais detalhada), mas devo admitir que neste caso (não isolado) o velho Stanley se sai muito bem.

Bom, então vamos parar de delongas (adoro escrever deloooongas) e falar da HQ em questão.

Em mais um de seus surtos psicóticos Loki como sempre pretende derrotar seu irmão thor e assim deixar o caminho livre para o trono de Asgard. Só que cansado de todas as surras que já levou do deus do trovão, Loki decide arranjar um lacaio para lutar em seu lugar.

Inicialmente ele pensa em enfeitiçar seres como o incrível Hulk, o Coisa e até Hercules, mas acabou esbarrando em empecilhos como não conseguir controlar a ira do Hulk, ou no fato de o Coisa ser apenas mortal ou atrair a ira dos deuses do olimpo.


Ai enquanto vasculha o universo, atrás de alguém para enrolar, Loki acaba esbarrando com a imagem do surfista prateado e nota que aquela criatura voadora, parece ser mais poderoso do que os “candidatos” ao cargo observados antes.

Então usando seus poderes, Loki vê todo o passado do surfista prateado e descobre que ele está preso a terra por uma barreira invisível que o impede de voltar para seu mundo e para os braços de sua amada.

Para saber da extensão dos poderes do surfista, Loki ataca, e durante a luta provoca a ira do surfista ao atacar os inocentes (que como sempre param para observar a batalha no céu de Nova York), mas só consegue ver toda fúria do surfista prateado quando decide medir forças com ele e percebe que esta diante de alguém cujos poderes vêm do próprio cosmo.

Convencido de que achara seu campeão, Loki destila seu veneno e convence o surfista prateado de que thor é um tirano, que deseja estender seu domínio para fora de asgard, e a terra, mundo que o surfista prateado jurou defender, quando se virou contra seu mestre (se não conhece a historia, vai ao google) era um dos alvos do “maldoso deus do trovão” que nada mais deseja alem de dominar todo o universo.

Convencido de que Loki diz a verdade, o surfista prateado decide ajuda-lo a livrar asgard das garras de thor, e o deixa leva-lo ao reino eterno para enfrentar thor, vencer-lo e alem disso ganhar a liberdade, já que Loki promete retirar a barreira que o impede de sair da terra.

Decidido a fazer justiça, o surfista prateado invade o jantar de confraternização de thor e seus guerreiros, para desafiá-lo, mas thor tenta contornar a situação convidando-o a participar do jantar, convite que o ser cósmico aceita na intenção de descobrir se thor era realmente o monstro que loki dissera.

Loki então decide fazer das suas. Controlando a mente de um dos guerreiros presentes, o deus da trapaça ataca o surfista prateado e ainda põe nos lábios do agressor as seguintes palavras: ”morte ao surfista, em nome de thor” e atira uma espada na direção do mesmo.

Não precisa nem dizer, que o caldo azedou não é?

Pois então amigos, da-se inicio a um dos maiores confrontos da historia das HQs de super heróis. E que como disse no inicio deste post, acabou tornando-se um dos momentos de tirar o fôlego dos amantes da nona arte.

Em um combate épico, entre outras coisas pela primeira vez, alguém desarmou thor separando-o de seu poderoso martelo e alem de levar ao deus do trovão a sua maior derrota e talvez a mais humilhante já em nenhum momento thor foi páreo para o surfista prateado.


Tudo isso, sob o olhar atento de odin, que observa a tudo impassívo e não demonstra o menor interesse em intervir, coisa de deuses sabe com é.

A coisa só não fica pior, por que ao ver como todos em Asgard, todos mesmo tentam proteger de seu ataque, o surfista começa a se perguntar se tomara a decisão certa e se não fora enganado por Loki. Daí em diante estória ganha outros contornos até seu desfecho que poderia ser mais emocionante, mas não ofusca o brilho desta HQ, que apesar de curta (39 paginas), é um dos grandes momentos da marvel comics.

Você deve estar se perguntando, por que eu decidi escrever justamente a respeito desta HQ, sendo que normalmente em blogs como este, costuma-se abordar sempre aquelas já batidas e conhecidas historias como: o cavaleiro das trevas(batman), a saga de venon (homem aranha) e guerra civil (marvel) só pra citar alguns exemplos.  

É elementar meu caro Watson!

O objetivo do geléia gerais, não é ser mais do mesmo. Por isso sempre faremos o caminho oposto, para não sermos, só mais um pontinhos verde dentro da lata de ervilha. Alem disso nem só de best sellers vive o leitor (de livros ou HQs) e muitas vezes grandes historias costumam passar batidas, mas não aqui.

Li e reli esta historia algumas vezes, tenho-a entre as preferidas da casa e sempre que posso coloco-a na minha pilha de gibis para ler no fim de semana, e se você que esta lendo este blog, ficou curioso vira e mexe ela aparece a venda nos mercados livres e e-beys da vida, sem contar os bons velhos sebos e se eu encontrar pára download, prometo publicar o link aqui.

No mais, esta ai um post sobre HQs. Prometo resenhar mais, sobre a nona arte principalmente sobre as estórias que não podem cair no esquecimento, de preferência aquelas que ainda não viraram filmes. Quem sabe assim elas viram hein?

“Santa arrogância Batman”

Pra encerrar, fichinha técnica:
 



Historia: combate no reino eterno
Roteiro: stan lee
Arte: john buscema
Arte final: sal buscema
Publicação no Brasil: heróis da tv numero 07 1982 e grandes heróis marvel numero 16 julho de 1987 ambas pela editora abril











Domingo que vem agente volta, com mais nerdices relevantes. Boa páscoa e namastê.





   




  


domingo, 6 de março de 2016

O campeão de Hitler



O campeão de Hitler
                                                                      por: markos paullo

A década é a de 1930, Max Schmelling (pronuncia-se ximélin) é um boxeador alemão, que enquanto o nazismo vai fincando suas raízes na Alemanha e fazendo o inferno na europa, vai para os estados unidos disputar o titulo mundial dos meio pesados.

Durante uma luta relativamente facil, Schmelling sofre um golpe baixo e com a desclassificação do lutador americano, sagra-se campeão mundial de boxe.

Só alegria certo? Nããão!

Como não venceu a luta por nocaute e sim por pontos, no inicio foi recebido na Alemanha como um vencedor, mas que conquistou o titulo por sorte, provocando por parte dos alemães, reações como: insultos e piadas de um comediante local por exemplo.

Mesmo assim, Schmelling  não se abate começa  a preparação para defender seu titulo, ao mesmo tempo em que tenta conquistar atriz tcheca Anny Ondra e evitar os assedios dos nazistas, que desejam trasnforma-lo numa especie de garoto propaganda da supremacia ariana.


 















Mas, Max Schmelling não aceita as ordens de Hitler, e de inicio consegue não ter sua imagem associada aos ideais nazistas.

Após uma serie de vitórias, a maioria por nocaute contra lutadores de primeira linha, Max Schmelling consegue reverter à opinião publica sobre ele e passa a ser visto como o grande boxeador que é, e não como algum que venceu por pura sorte. Mas sua grande conquista nesse período foi o coração de Anny Ondra.


Apesar de tudo andar tão bem, o surgimento nos estados unidos de um boxeador chamado Joe Louis (um dos maiores, de todos os tempos e negro), fez com que Max Schmelling se vice na difícil tarefa de enfrenta-lo e recuperar sua imagem, que havia sido arranhada depois de perder uma luta por pontos, luta claramente manipulada já que Max Schmelling dominou a luta do começo ao fim e mesmo assim os juízes o tiraram o titulo de campeão.

De inicio os nazistas foram contra a luta entre Schmelling e Joe Louis, mas Hitler viu como uma grande oportunidade de provar a supremacia alemã em pleno solo americano que até ali ainda não havia entrado na segunda guerra.



Mesmo vendo seu empresario e amigo, sendo perseguido por ser judeu e sua amada Anny Ondra ser banida do cinema alemão por ser tcheca, Schmelling vai até a América enfrentar Joe Louis não por Hitler, mas pra fazer o que ama lutar boxe, tanto que entre ele e Joe louis, acaba nascendo uma amizade que dura até o fim da vida de Louis em 1983.

Schmelling vence a o campeão americano, volta pra Alemanha campeão, mas sem o empresário e amigo que não quis voltar para ser perseguido pelos nazistas.

Vendo o avanço cada vez maior do nazismo em Berlim, e sabendo que se saísse da Alemanha seus parente e amigos seriam perseguidos, Schmelling decide então mudar para o interior e também, deixar sua imagem ser associada ao nazismo, tornando-se o campeão de Hitler.


Joe Louis vs Max Schmeling
A luta do século

Mas, Joe Louis pede uma revanche, Schmelling aceita o desafio e perde por nocaute com dezoito segundos de luta, volta para alemanha sem a pompa de antes, inconformado tenta marcar outra luta contra Joe louis, mas Hitler decide enviar o homem que humilhara a alemanha perdendo para um negro para a morte e convoca o cara para a força aérea.

Bom, vou parar por aqui, senão eu conto o filme todo, e fazer resenha não é e o objetivo desse blog.

O que me fez escrever sobre este filme, foi justamente a dita “injustiça” que Silvester Stalone teria sofrido no Oscar desse ano.
agradando ao monstro para proteger quem ama
Quando eu vi este filme, me deu uma vontade de pensar a respeito de justiça, injustiça, traição e falsidade. Coisas que andam em destaque na agenda da mídia pelo menos no Brasil.

A estória de Max Schmelling, um homem que viveu como todos nós deveríamos viver, sem preconceitos, com a vaidade na medida certa e foi vitima das próprias crenças, entre elas certeza de que todos somos uma só raça mexeu comigo e acredito que fez o mesmo com quem viu o filme que (Por falar em injustiça) não concorreu ao Oscar em 2011.
 mandado a guerra pra morrer

Veja o filme e pense sobre seus conceitos e pré-conceitos. Pense se vale a pena cultivar certas paranóias, como a tal valorização da raça A, B ou C.

Max Schmelling, foi daquelas pessoas raras, que não via nacionalidade, cor da pele ou religião, mas via apenas pessoas mesmo sendo seus adversários. E garanto que não ficaria triste por não ganhar uma estatua estúpida, mas sim por não fazer uma boa luta.


E alem disso é sempre bom ver um filme, em que o herói até fica com a garota, mas não se levanta no final.



o campeao de hitler h
2010  Filme de Esportes-Drama 2h 3m
Data de lançamento: abril de 2010 mundial

Max Schmelling:
 Henry Ma
 Direção: Uwe Boll
Roteiro: Timo Berndt
Fotografia: Mathias Neumann

 
joe louis e shmelling amigos e rivais

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Capitão sky e o mundo do amanhã


resenha                                                                                                           por: markos paullo

Lançado em 2004, capitão sky e o mundo do amanhã, nasceu mesmo 1998 quando o roteirista e diretor Kerry Conran, produziu um curta metragem de seis minutos.

Este curta serviu de cartão de visitas, para as produtoras de cinema norte americanas, na tentativa de transformar um sonho em realidade, produzir seu primeiro filme.

Só que Kerry Conran acabou criando algo, bem mais interessante do que inicialmente havia planejado pelo menos eu acredito nisso.

O que vemos hoje, são historias em quadrinho virando filmes, mas capitão sky e o mundo do amanhã naquela momento seguiu na contramão, ou melhor dizendo acabou tornando-se um filme que virou uma historia em quadrinho.

Toda a estética, fotografia, movimentação de câmeras, cenários, diálogos; ou seja, absolutamente tudo em capitão sky e o mundo do amanhã, foi baseado na concepção de uma HQ, mesmo não sendo bem essa a intenção.

A historia se não fosse um roteiro de cinema, facilmente chegaria às bancas na forma de uma Graphic Novel que deixaria o mestre Will Eisner, orgulhoso por mais um discípulo, veja a sinopse ai em baixo:



Dr- Totenkopf um cientista desaparecido a pelo menos 20 anos, desenvolveu um plano para exterminar a humanidade, mas antes levaria todas as outras espécies animais para fora da terra numa “arca de noé espacial” e logo em seguida um artefato nuclear explodiria, dizimando toda a humanidade, que na visão dele já estava fadada a extinção.



Temos então: um aventureiro, uma intrépida repórter, uma vilã misteriosa, robôs gigantes, asas robôs voadoras e é claro armas de laser. Achou isso batido? Pode a te ser nos dias de hoje, só que tudo isso se passa nos anos de 1930. Calma eu espero você levantar seu maxilar e fechar a boca.

E ai, dava ou não uma grande historia em quadrinho?   

Só que Kerry Conran não é quadrinista, o negocio do cara é cinema, mas como toda a parte visual do filme ficou a cargo de Kevin Conran (sim são parentes) que é cartunista, o story board do filme (um tipo de roteiro com imagens), foi todo feito em quadrinhos, alem das filmagens ter ocorrido somente em studio, o que deu asas enormes para a imaginação da equipe de efeitos visuais.

A mistura da arquitetura, da moda dos anos 30 com tecnologias futuristas; é o que da ao capitão sky e o mundo do amanhã, uma textura que eu pelo menos não havia visto no cinema, mas é muito comum em trabalhos de artistas como: moebios, will eisner e hergé, quero dizer que poucas obras tem as feições de seus autores e este filme em particular tem a assinatura de seus produtores em cada minuto, do inicio aos créditos finais.



Quando assisti capitão sky e o mundo do amanhã pela primeira vez, fiquei surpreso em ver o cinema se metamorfoseando em outra forma de linguagem, e mais surpreso que essa linguagem fosse à dos quadrinhos para o qual os críticos tanto torcem o nariz.






Mas hoje vendo o filme mais maduro, consigo enxergar um experimento visual, uma busca por outras formas de dar fôlego a sétima arte e principalmente, uma procura por novos caminhos estéticos e técnicos para produzir um grande filme, que bom que no caso do capitão sky e o mundo do amanhã, o caminhos escolhido foi das historias em quadrinho.

Só pra encerrar, fichinha técnica do filme:

Titulo: capitão sky e o mundo do amanhã
Lançamento: 2004
Direção e roteiro: Kerry Conran
Produção: independente

Elenco: Jude Law – Capitão Sky
            Gwyneth Paltrow – Polly Perkins
            Angekina Jolie -Franky  

Curiosidades: Toda arquitetura da nova york retratada no filme, foi inspirada nos desenhos em carvão de: Hugh Ferris, ilustrador e arquiteto dos anos 1930.

E o designer dos carros, aviões e porta aviões veio do trabalho dos ilustradores e industriais: Raymond Lowe e M-Borgetti que são o responsáveis pelo visual aerodinâmico dos veículos da década de 30 e não o estilo “art decô” como muita gente acredita.



Domingo que vem, agente volta com mais nerdices pra todos. Vida longa e prospera!



sábado, 6 de fevereiro de 2016

Dylan e seus dilemas



Dylan e seus dilemas

Ola pessoas. ò nois aqui de novo! fugindo da folia (hoje é domingo de carnaval), mas o papo dessa semana e musica espero que quem ler goste do post.

Imagine-se nesta situação: você é um poeta, no auge da fama, a voz de uma geração (ou pelo menos o rotulam assim), sua poesia, contesta e provoca nas pessoas, exatamente quilo que você deseja que ela provoque reflexão aos antenados, mas revolta nos idiotas do tipo: farsistas, racistas, “conservadores”; essas coisas.

Mas você não esta feliz. Você conseguiu algo muito difícil. Sua obra não ficou limitada aos limites de uma folha de papel, mas sim ecoou pelo ar em ondas de radio, que levavam sua voz nasal e seus textos nem sempre rimados em forma de canção, quase sempre no formato: voz, gaita e violão.

Só que você não esta feliz. Você não esta triste, mas também não esta feliz. Sentimentos dissonantes que não combinam com só toca acordes naturais. Mesmo assim você continua a fazer as coisas como sempre fez e o deixaram orgulhoso, até finalmente perceber que aquele caminho, não te pertence mais.

E ai pôs a massa encefálica pra trabalhar? Desagradável de viver não?

Pois então vamos ao ponto:

Como o titulo deste post já diz, o personagem em questão é nada mais do que Bob Dylan (se você não conhece esta lendo o blog errado), que no final dos anos 70, se via aos 39 anos, vivendo uma crise existencial que acabaria levando-o a se reconciliar com Deus (o cara era meio judeu, meio ateu sei lá) e a produzir um senhor álbum.

Após viver intensamente os anos 60, ter produzido grandes canções e se firmado como um dos artistas mais influentes na musica popular do século 20. Bob dylan passou a maior parte da década de 70, em constante metamorfose. Abandonou o folk e se entregou ao blues e ao rock, o que lhe rendeu o rotulo de traidor por muitos de seus “fãns”.

Mas, a grande metamorfose não foi musical e sim no comportamento.

Aos poucos, boatos de que ele havia se convertido ao cristianismo, pipocavam pelas redações de revistas especializadas em musica, rádios e tvs de toda a américa. Mas como é habito de Dylan, logo ele veio a publico e confirmou que não eram boatos e sim fatos.

“É difícil acreditar que Bob Dylan encontrou cristo” disse algum jornalista maldoso. De toda forma o grande fato não foi a conversão de bob ao cristianismo, mas sim os frutos musicais dessa conversão.


“as pessoas acham que deus, só entra na nossa vida, quando estamos: tristes, velhos ou pra morrer; comigo não foi assim”

Bob Dylan


Enquanto muita gente se atinha ao lado religioso da coisa, a cabeça do artista pré-produzia um trabalho sem igual, tão intenso que seria capaz de converter qualquer não fãn de rock em Dylanista fiel e fervoroso.

Agora chega de enrolação. Em 1979 Slow Train Coming, desembarca nas lojas de discos dos estados unidos. Era o primeiro álbum de Bob Dylan, vivendo seu momento cristão renascido, mas ao contrario do que muitos pensavam, em vez de um disco gospel (tipo os da fase brega do Elvis) Dylan lançou um disco inspirado pelo blues e abordando basicamente os mesmos temas que sempre abordou em suas letras, mas agora de uma forma menos direta e agressiva.


Tudo isso faz de Slow Train, um trabalho que consegue ser ao mesmo tempo suave aos ouvidos, mas agressivo em sua atitude de mostrar aos críticos, que é possível ser espiritualizado sem ser fanático, depressivo ou piegas.

Apesar de muitas das faixas de Slow Train fazerem referencia a temas bíblicos como: when he returns (quando ele retornar), Bob Dylan mostra em todo o disco que ele ainda esta lá, que não havia sido substituído por uma versão crente e menos poética de si mesmo.

Na verdade, ouvindo as canções deste “trem lento”, é possível descobrir de onde vêem a influencia para muitos dos que tem coragem de falar em Deus, Buda e de qualquer outra religião ou mesmo filosofia de vida em suas canções.

Não sei se Renato Russo, Bono e Raul Seixas por exemplo, chegaram a fazer as pazes com alguma divindade ao qual tenham renegado, mas sei que se não fosse por Slow Trayn ( e pode ter certeza que eles ouviram muito este disco) eles e muitos outros “poetas do rock”, jamais existiriam.

Resumindo a opera. Se você não conhece a obra de Bob Dylan ou torce o nariz pra aquela voz nasal do cara, faça um esforço e como Dylan, tente entender algo que você renega e se reconciliar com os bons sons. Se possível comece ouvindo Slow Train pode ser que você surpreenda.

 
 Slow train coming
 Lançamento: agosto de 1979
Prudução: jerry wexler e barry backett

Curiosidade: mark knopfler (dire straits) toca todas as guitarras do disco



Até domingo que vem com mais nerdices.